PENSA NA TUA PEGADA HÍDRICA!

GESTÃO DA ÁGUA POTÁVEL

Embora a água potável seja muito abundante na Terra e cubra 71% da sua superfície, 96,5% desta massa total é constituída pela água salgada dos oceanos e apenas 3,5% por água doce. Desta pequena quantidade, 69% apresenta-se sob a forma de gelo, nos polos, e glaciares, o que significa que só menos de 1% dos recursos hídricos mundiais estão disponíveis para o consumo humano.

Para além de ser um recurso básico, a água potável é um bem precioso e cada vez mais escasso: 18% da população mundial não tem acesso a uma fonte segura e sustentável de água potável. Apesar dos grandes esforços levados a cabo por várias organizações internacionais, a situação tende a agravar-se e as projeções para 2025 indicam que nessa altura uma parte da população mundial - cerca de dois terços – estará a viver em zonas com problemas de falta de água.

Paralelamente ao aumento do consumo, que em muitas regiões está a esgotar os aquosos, não lhes dando tempo para se restabelecerem, também a degradação dos ecossistemas de água doce contribui para o agravamento do problema. Calcula-se que metade das zonas húmidas em todo o globo esteja irremediavelmente perdida e que mais de 20% das 10 000 espécies de água doce conhecidas estejam extintas, em perigo ou ameaçadas. Para agravar mais a situação, as alterações climáticas provocadas pelo aquecimento global vêm agravar ainda mais o problema e prevê-se que no futuro o acesso a fontes de água potável possa estar na base de conflitos graves em / entre muitos países.

O mais chocante desta situação é que a maior parte da água disponível nem sequer é consumida, mas simplesmente desperdiçada. De toda a água doce disponível mundialmente, uma grande parte, ou seja 70%, é utilizada na agricultura; no entanto, 60% de toda essa água perde-se por evaporação ou infiltração, devido a sistemas de irrigação deficientes, sobretudo nos países em vias de desenvolvimento. Por outro lado, os desperdícios nos países desenvolvidos assumem valores inacreditáveis. Em média, cerca de 30% da água potável disponível para o consumo urbano perde-se devido a canalizações mal vedadas e a torneiras que pingam, mas essas perdas atingem em algumas cidades valores entre os 40% e os 70%. Em Portugal, calcula-se que 42% da água potável para consumo urbano seja desperdiçada.

Nos países em vias de desenvolvimento, 90% dos esgotos domésticos e 70% dos efluentes industriais são lançados diretamente em cursos de água, sem qualquer tratamento. Nestas condições, o leque de doenças transmitidas através da água é bastante vasto e mata por semana cerca de 42 000 pessoas, 90% das quais são crianças de idade inferior a 5 anos. A principal doença diretamente relacionada com a falta de qualidade de água, a disenteria, constitui precisamente a terceira causa de morte entre as crianças desta faixa etária.


ALGUNS AGENTES INFECIOSOS TRANSMITIDOS PELA ÁGUA

Vírus AGENTE INFECIOSO DOENÇAS
Enterovírus
VHA (vírus da hepatite A)
Diarreia
Hepatite A
Bactérias Salmonella typhi
Salmonella sps.
Shigella sps
Vibrio cholerae
Escherichia coli enteropatogénica
Febre tifóide
Salmonelose
Shigelose
Cólera
Diarreia
Protozoários Entamoeba hystolitica
Giardia lamblia
Disenteria amebiana
Diardíase
Platelmintas Schistosoma sps Esquistossomíase ou bilharziose

POLUIÇÃO DA ÁGUA

As principais fontes antrópicas de poluição das águas são, por um lado, as explorações agropecuárias e os centros urbanos, considerados fontes dispersas, porque os poluentes são transportados a partir dos pontos onde são produzidos, por exemplo, pela água da chuva e pelas águas de escorrência e infiltração; por outro lado, há as fontes localizadas, por exemplo, pontos de descarga de efluentes industriais.

Um dos grandes agentes poluentes da água, tanto das águas continentais como dos oceanos, são as grandes quantidades de lixo – anualmente são lançadas no mar 14 milhões de toneladas – e sobretudo matéria orgânica, proveniente dos esgotos urbanos e de alguns efluentes industriais, que leva à proliferação descontrolada de algas e microrganismos, provocando a eutrofização de lagos e albufeiras e, no mar, fenómenos como as “marés vermelhas”.

Também as grandes quantidades de óleo lançadas na água formam uma película à superfície que dificulta ou impossibilita a sua oxigenação, com consequências evidentes para todos os organismos aeróbios que nela vivem. No caso do petróleo – cujo derrame acidental dá origem às chamadas “marés negras”, mas constantemente lançado no mar, aquando das lavagens de navios -, para além destes efeitos, há que contar com a elevada toxicidade da maior parte dos seus componentes. Os alcatrões, por exemplo, não são solúveis, mas contêm compostos cancerígenos, ao passo que os alcanos podem ter efeitos anestésicos e narcotizantes. Os mais tóxicos, porém, são os hidrocarbonetos aromáticos, como o benzeno, o tolueno e o xileno, pois são facilmente solúveis na água, pelo que os organismos marinhos os absorvem através do tegumento e das brânquias e por ingestão direta da água ou de alimentos contaminados.

Outro fator importante na poluição das águas são os agentes infeciosos provenientes de esgotos domésticos ou de explorações agropecuárias. Trata-se de ovos de parasitas, protozoários, fungos, bactérias e vírus que ocasionam doenças como a febre tifóide, a hepatite e a cólera.

Há ainda a salientar que, através das águas de escorrência e de infiltrações, muitos produtos tóxicos utilizados na agricultura acabam por poluir não só o solo, como também os corpos de água. Entre estes produtos salientam-se os nitratos e os fosfatos, usados como fertilizantes, pelo papel que têm, tal como os resíduos orgânicos, na eutrofização.

POLUENTES DA ÁGUA

AGENTE POLUENTES EFEITOS
Agentes infeciosos Doenças infeciosas
Matéria orgânica Eutrofização
Alcatrões Cancro
Alcanos Efeitos anestésicos e narcotizantes
Benzeno Cancro, malformaçõescongénitas, disfunçõesmetabólicas e sexuais, aborto, infertilidade
Tolueno Malformação congénitas, disfunções hipáticas e gastrointestinais
Xinleno Lesões ligeiras da pele e vias respiratórias, perturbações do cérebro e sistema nervoso
Nitratos Potencialmente tóxicos, se transformados em nitritos - eutrofização
Fosfatos Eutrofização

NOTA:

Sabes o que é a eutrofização?

A eutrofização é um processo natural a que estão sujeitos sobretudo os lagos e as albufeiras, à medida que as águas de escorrência os vão enriquecendo de sedimentos e nutrientes orgânicas.
Este processo natural é, no entanto, frequentemente potenciado e acelerado pela ação do homem, em consequência da qual a quantidade de matéria orgânica presente, reforçada pela presença de fosfato e nitratos, é tão elevado que ultrapassa a capacidade de autodepuração dos ecossistemas. Inicialmente há uma proliferação exagerada de fitoplâncton, concentrado na camada superficial, que impede a luz de chegar às camadas mais profundas, provocando a morte das plantas e algas submersas. Em consequência, baixa o nível de oxigénio dissolvido na água, até porque o oxigénio produzido à superfície pelo fitoplâncton é lançado para a atmosfera.
A concentração da matéria orgânica no fundo provoca a proliferação exagerada de bactérias, que começam a monopolizar todo o oxigénio disponível; além disso, algumas delas começam a metabolizar os nitratos em nitritos, que são tóxicos, pois reagem com a hemoglabina, impedindo o transporte de oxigénio. Finalmente, a ausência praticamente total de oxigénio origina a morte dos peixes e outros animais, mantendo-se apenas as bactérias anaeróbias.

PEGADA HÍDRICA

A pegada hídrica é um indicador que contabiliza a quantidade de água utilizada nos bens e serviços consumidos pelos habitantes de um país, tendo em conta também os fluxos de água que entram ou saem desse país através das importações e exportações de produtos e serviços.

A pegada hídrica é uma das famílias de pegada ambientais que nos ajudam a entender como as nossas escolhas de produção e consumo estão a afetar os recursos naturais. À medida que a população cresce e o nível de vida aumenta, a pegada hídrica diz-nos quanta água é usada todos os dias em todas as nossas atividades, como para produzir os nossos alimentos e o nosso vestuário.

Existe dois tipos de pegada hídrica:
Pegada hídrica interna que se refere à utilização dos recursos hídricos do país para produzir os bens e serviços consumidos pelos seus habitantes;
Pegada hídrica externa que se refere à quantidade de recursos hídricos utilizados em outros países para produzir os bens e serviços a ser posteriormente consumidos a nível interno.

Pegada hídrica é classificada em três partes:
Pegada Hídrica Verde que está associada à água da chuva, ou seja, é a água da precipitação que é armazenada na zona da raiz do solo e evaporada, transpirada ou incorporada pelas plantas. É particularmente relevante para produtos agrícolas, hortícolas e florestais.
Pegada Hídrica Azul que está associada à água superficial ou subterrânea, ou seja, é a água proveniente de recursos de água superficiais ou subterrâneas e é evaporada, incorporada a um produto ou retirada de uma massa de água e devolvida a outra, ou devolvida em um horário diferente. A agricultura irrigada, a indústria e o uso doméstico da água podem ter uma pegada hídrica azul.
Pegada Hídrica Cinza que está associada à água poluída, ou seja, é a quantidade de água doce necessária para assimilar poluentes para atender a padrões específicos de qualidade da água. A pegada hídrica cinza considera a poluição pontual descarregada para um recurso de água doce diretamente através de um tubo ou indiretamente através de escoamento superficial ou lixiviação do solo, superfícies impermeáveis ou outras fontes difusas.

PEGADA HÍDRICA EM PORTUGAL

Portugal é considerado o sexto país entre 140 países com a pegada hídrica de cada habitante mais elevada devido, principalmente, ao setor agrícola.

Calcula-se que a utilização de água em Portugal seja aproximadamente de 52 metros cúbicos por pessoa por ano, no entanto, existe uma modificação da capitação diária regional entre 130 litros nos Açores e mais 290 litros no Algarve. Contudo, se a cada consumo pessoal for acrescentada toda a água utilizada nos bens consumidos, concluímos que cada português é responsável por utilizar 2.264 metros cúbicos por ano. 80 % dos 2,264 metros cúbicos corresponde ao consumo de bens agrícolas e 54% diz respeito à importação de bens para consumo, isto é, mais de metade da pegada hídrica em Portugal é externa.

O estudo concluído pela WWF diz que "a elevada pegada hídrica portuguesa se deve à pouca eficiência do sector agrícola nacional, à dependência dos bens agrícolas que importamos, principalmente de Espanha, e às diferenças geográficas internas, com problemas de escassez de água a sul, em particular na bacia do Guadiana".

Portugal na região mediterrânea tem recursos hídricos parcialmente abundantes, apresentando uma taxa de insuficiência de água de 33%.

Para Portugal melhorar a eficiência do uso da água, necessita conhecer as características do consumo direto e do consumo indireto, ou seja, consumo direto é quem, onde e como se consome mais água, consumo indireto é quem, onde e como se produzem os bens importados e de que produção é utilizada a água.

Como foi dito anteriormente, mais de metade da pegada hídrica em Portugal é externa, devido aos produtos agrícolas importados, principalmente de Espanha.

Para os valores poderem ser alterados, é essencial evoluir e recorrer a ferramentas apropriadas de certificação da gestão da água, no entanto também é necessário apostar na educação e na sensibilização dos consumidores para que optem por escolhas pessoais conscientes.

“O relatório Planeta Vivo 2008 da WWF alerta que o uso insustentável da água é um problema crescente no mundo e que o declínio dos ecossistemas hídricos é mais acentuado do que o da biodiversidade marítima e terrestre.

Na base da situação estão o aumento das captações de água para a agricultura e o abastecimento urbano, as más políticas e práticas de gestão e a perda de habitats devido à urbanização e construção de infraestruturas.”

COMO MELHORAR A NOSSA PEGADA HÍDRICA

A única forma para conseguir melhorar a nossa pegada hídrica é poupando água, para tal, existem várias formas de o fazer tais como:

Autoclismo:


- Ajustar o autoclismo para que o volume da descarga seja mínimo;
- Existem autoclismos que têm dois tipos de descargas, o mínimo e o máximo, pelo que deveremos utilizar a mínima quando formos à casa de banho apenas para urinar, pois, assim, poupamos mais água;
- Utilizar garrafas ou outro tipo de material dentro do depósito de água da sanita de forma a reduzir o volume de armazenamento, no entanto deveremos ter cuidado nos materiais que são colocados para evitar estragos.
- Evitar descargas desnecessárias do autoclismo;
- Quando chover, utilizar a água da chuva para o autoclismo, evitando-se descarregá-lo

Chuveiro:

- Escolha tomar banho em duche em vez de banho de imersão;
- Não ultrapasse os 5 minutos de água a correr e tome banhos curtos;
- Enquanto se lava, feche a torneira, pois a água que escorre enquanto se lava é água que está a ir para o esgoto desnecessariamente;
- Se não tiver outra opção sem ser o banho de imersão, opte por encher apenas 1/3 do nível máximo da banheira;
- Enquanto espera pela água quente, guarde a água fria para reutilizar, por exemplo no autoclismo ou mesmo para regar as plantas;
- Sempre que for necessário substituir o chuveiro, opte por comprar um com menor caudal para poupar mais água.

Torneiras:

- Quando for necessário descongelar ou lavar alimentos, opte por utilizar um alguidar com água em vez de deixar a água a correr o tempo todo;
- Quando necessitar de lavar louça ou roupa à mão, utilize um alguidar;
- Ao lavar os dentes feche a torneira enquanto os escova e quando for para bochechar utilize um copo com água para reduzir o desperdício;
- Para fazer a barba, tente não deixar tanto tempo a água a correr.
- Enquanto lava as mãos com sabão, feche a torneira.
- Verifique sempre se a torneira está bem fechada.
- Para cozinhar tente utilizar o mínimo de água possível ou opte por cozinhar a vapor, ou numa panela de pressão; assim poupa água, vitaminas e fica com um melhor sabor nos seus cozinhados.
- Reutilize a água para cozer outros legumes, para cozer vegetais ou para confecionar sopas.
- Quando for necessário a troca da sua torneira, opte por comprar uma com menor caudal.

Máquina de lavar roupa:

- Antes de comprar a sua máquina de lavar a roupa, consulte as instruções, principalmente no que diz respeito às recomendações relativas ao consumo de água, energia e detergente;
- Utilize o seu equipamento apenas quando tiver roupa suficiente para encher a máquina;
- Não utilize os programas com ciclos muito grandes ou com ciclos desnecessários, como, por exemplo, a pré-lavagem;
- Se a sua máquina tiver regulador para a carga a utilizar e para o nível de água, regule para consumir menos água;
- Se a sua máquina tiver que ser substituída por outra, opte pelas mais eficientes em termos de água, energia e que tenha maior flexibilidade para ajustes de programas de lavagens.

Máquina de lavar louça:

- Antes de comprar a sua máquina de lavar a louça, consulte as instruções, principalmente no que diz respeito às recomendações relativas ao consumo de água, energia e aditivos;
- Antes de pôr a sua máquina a lavar, verifique que está totalmente cheia e que consegue funcionar corretamente;
- Antes de colocar a louça na máquina, minimize o enxaguamento da louça;
- Antes de colocar a louça na máquina, minimize o enxaguamento da louça;
- Opte por programas que utilizem menor consumo de água;
- Opte por lavar a louça na máquina em vez de à mão;
- Limpe regularmente os filtros e remova o depósito;
- Se a sua máquina tiver que ser substituída por outra, opte pelas mais eficientes em termos de água, energia e que tenha maior flexibilidade para ajustes de programas de lavagens.

Jardim:

- Existem algumas plantas que não necessitam de muita água, por isso evite regá-las desnecessariamente;
- Utilize a água do poço, ribeiros ou água da chuva, da lavagem dos legumes ou da fruta para regar as suas plantas;
- Se regar as plantas de madrugada ou à noite, está a poupar água, pois não está a perder água com o calor do sol.

Pátio:

- Para lavar o seu pátio opte por utilizar uma vassoura em vez de água.

Carro:

- Quando necessitar de lavar o seu carro, opte por ir a uma lavagem automática que recicle a água; se preferir lavar em casa, utilize um balde e uma esponja.

Piscina:

- Limpe o filtro da sua piscina manualmente;
- Mude a água da sua piscina em longos espaços de tempos;
- Quando encher a piscina, verifique o nível de água;
- Quando reparar que a piscina tem alguma fissura ou fenda repare de imediato, mesmo que o problema seja mínimo;
- Utilize uma cobertura na piscina, assim não perde água devido à evaporação.

A IMPORTÂNCIA DA PEGADA HÍDRICA

A água doce é um produto que está a diminuir e cada vez existe menos água doce. A humanidade ultrapassou a sua própria pegada hídrica aconselhada. A única forma de ajudar é ter boas informações sobre a pegada hídrica das comunidades e das empresas, pois só assim podemos entender como podemos alcançar um uso sustentável e justo da água doce.

Existem vários pontos em todo o mundo onde a escassez da água e a sua poluição são muito graves, ou seja, existem locais no mundo onde os rios correm secos, de forma a derribarem os níveis de água e lençóis freáticos, e ameaçarem espécies devido a águas contaminadas.

A pegada hídrica é uma forma de ajudar a indicar a ligação que existe entre o nosso consumo diário de mercadorias e os problemas de escassez e de poluição da água que existem em vários pontos do nosso planeta. A maior parte dos produtos têm a sua própria pegada hídrica, uns menores que outros, mas todos utilizam água para serem produzidos.

PREOCUPAÇÕES DA PEGADA HÍDRICA PERANTE AS EMPRESAS

A consciencialização e a estratégia ambiental pertencem ao que uma empresa considera a sua “responsabilidade social corporativa”. A redução da pegada hídrica poderá fazer parte da estratégia ambiental de um determinado negócio, tal e qual como a redução da pegada de carbono.

Várias empresas passaram por vários problemas relacionados com a pouca água doce na sua produção ou mesma na cadeia de suprimentos, pois nenhum café consegue abrir sem o fornecimento de água ou outros produtos que utilizem água, como o caso dos refrigerantes; no caso das empresas que produzem calças, não poderiam produzir os seus produtos sem terem água para regar o algodão que é utilizado para fazer as calças ou outro vestuário.

COMO É QUE OS CONSUMIDORES PODEM REDUZIR A PEGADA HÍDRICA

A forma que os consumidores têm para reduzir a pegada hídrica é a forma como utilizam a água na sua própria habitação, ou seja, pegada hídrica direta.

A pegada hídrica indireta de um consumidor é normalmente maior que a direta. Para um consumidor reduzir a sua própria pegada hídrica indireta tem duas opções, substitui um produto com uma pegada hídrica elevada por uma menor, como, por exemplo, em vez de comprar roupa de algodão, opta por comprar roupa de fibra artificial, ou então em vez de comer muita carne, opta por comer mais legumes.

A outra forma para reduzir a pegada hídrica indireta é manter o consumo que têm tido ao longo da sua vida, mas optar por produtos feitos com algodão que tenham uma pegada mais baixa, fazendo o mesmo em relação à carne e o café igualmente. No entanto, os consumidores necessitam de ter informações adequadas para fazer essas escolhas, embora essa informação não esteja disponível nos dias de hoje.

QUAIS AS METAS RAZOÁVEIS DE REDUÇÃO DA PEGADA HÍDRICA

Esta é uma questão que não tem resposta geral, pois depende do produto, da tecnologia disponível, do contexto local, entre outras informações. Contudo, é importante ter consciência que a pergunta envolve um elemento normativo, ou seja, implica que seja respondida no contexto sociopolítico.

É necessário distinguir metas de redução no que diz respeito à pegada hídrica verde, azul e cinza. No que diz respeito à pegada hídrica cinza, que é a poluição da água, temos a possibilidade de impor uma redução zero para todos os produtos, pois poluição não é necessária no nosso planeta. Para chegar a uma pegada hídrica cinza zero é preciso prevenir, reciclar e tratar.

A pegada hídrica azul no período agrícola dos produtos pode ter uma redução por um fator que é a perda de água de consumo. Tecnologicamente, as indústrias podem reciclar a água por total, de forma a que a pegada hídrica azul seja reduzida em qualquer lugar e à quantidade de água que está a ser desperdiçada ou incorporada no produto. Existe outra regra geral que é utilizada para qualquer estratégia de abrandamento da pegada hídrica, ou seja, evitar que a pegada hídrica ataque as áreas ou os horários em que os fluxos ambientais sejam violados. A fundamentação final para esta estratégia ser menor poderá ser o compartilhamento imparcial dos recursos hídricos.

PEGADA HÍDRICA VS PEGADA DE CARBONO

A pegada de carbono diz respeito à mudança do clima; a pegada hídrica está relacionada com a pouca água doce que existe. No entanto, as duas dizem respeito à natureza e ao planeta Terra. Nos dois casos, um ponto de vista da cadeia de aumentos é promovido. No entanto, existem diferenças, já que, no caso de emissão de carbono, o local onde acontece, não é importante, mas no caso da pegada hídrica é muito importante. A emissão de carbono num lugar pode ser compensada com a redução de emissão de carbono noutro local, caso que não acontece com a água, pois não se consegue reduzir o impacto local da utilização da água em outro lugar de forma a economizar a água.

PORQUÊ?

POR QUE RAZÃO A ÁGUA É POUCA SE A ÁGUA DOCE PODE SER DESSALINIZADA COMO A ÁGUA DO MAR?

Existe 70% de água no planeta terra, isso é um facto, mas apenas cerca de 3% é potável e a restante é maioritariamente salgada. Então porque não é utilizada a água salgada para termos água potável? 1º porque tem um custo monetário elevado e a dessalinização nos dias de hoje, apesar do avanço tecnológico, é ainda uma fonte com um elevado custo. E 2º é o recurso da água dos esgotos, pois esta tem duas a três vezes menos gastos financeiros do que a dessalinização.

PRODUTOS QUE NECESSITAM DE ÁGUA PARA SEREM PRODUZIDOS

Para diminuir a pegada hídrica, os produtos deviam ter no rótulo a percentagem de água utilizada para o seu fabrico? E porquê? Pois desta forma os consumidores poderiam saber o quão é prejudicial o fabrico do produto em relação ao consumo de água, e sendo que não é colocada no rótulo esta informação os consumidores não têm como saber a quantidade de água que foi gasta para a produção do produto e, desta forma, a pegada hídrica manter-se-á elevada por bastante tempo, pois não haverá mudanças nas compras e gastos de água por parte dos fabricantes e pelos consumidores.

Alimentos:




Carne Bovina
1Kg
15 400 Litros de água

Carne de Porco
1Kg
6 000 Litros de água

Carne de Frango
1Kg
4 330 Litros de água

Arroz
1Kg
2 500 Litros de água





Cana de açucar
1Kg
1 800 Litros de água

Pão
1Kg
1 600 Litros de água

Cevada
1Kg
1 420 Litros de água

Maça
1 maçã
125 Litros de água





Chá Verde
3gr
30 Litros de água

Leite
1L
1 000 Litros de água

Vinho
1L
460 Litros de água

Café
1 chávena
130 Litros de água





Batata
1Kg
290 Litros de água

Chocolate
1 barra
1 700 Litros de água

Manteiga
1Kg
5 000 Litros de água

Cerveja
1L
155 Litros de água





Ketchup
1Kg
530 Litros de água

Banana
200gr
160 Litros de água

Queijo
1Kg
5 060 Litros de água

Ovos
1 ovo
200 Litros de água





Coca-Cola
1L
70 Litros de água

Alface
1 pé de alface
240 Litros de água

Pizza
725gr
1 260 Litros de água

Humbúrguer
1L
2 400 Litros de água



Produtos:




Papel
1 folha
10 Litros de água

Camisa de Algodão
1 camisa
2 500 Litros de água

Plástico
1Kg
182 Litros de água

Gasóleo
1L
4 000 Litros de água





Calças de Ganga
1 par de calças
10 000 Litros de água

Sapatos de Couro
1 par de sapatos
17 000 Litros de água

Carro
1 carro
400 000 Litros de água

Telemóvel
1 telemóvel
900 Litros de água





Computador
1 computador
400 Litros de água

Microchip
1 microchip
32 Litros de água

Aço
1Kg
40 Litros de água

Gasolina
1L
10 Litros de água

FORMAS QUE A EQUIPA CRIOU PARA DIVULGAR A PEGADA HÍDRICA





PALESTRAS

As palestras que serão feitas, são direcionadas aos alunos do 5º ano e 7º ano do Instituto D. João V, Louriçal. O objetivo destas palestras é falar e dar a conhecer, pormenorizadamente o que é a pegada hídrica e como a podemos melhorar. A organizadora das palestras é a Carina Simões do 12º ano, aluna do Instituto D. João V.

ALUNOS DO 5º ANO

5ºA
Segunda-feira, 27 de maio de 2019
14:25h - 15:25h

5ºB
Terça-feira, 28 de maio de 2019
08:50h - 09:50h


ALUNOS DO 7º ANO

7ºA
quinta-feira, 30 de maio de 2019
08.50:25h - 09:50h

7ºB
quinta-feira, 30 de maio de 2019
12:20h - 13:20h


7ºC
sexta-feira, 31 de maio de 2019
09:55h - 10:55h


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